A internação do fotógrafo Gerson Gomes em Campos dos Goytacazes, dada após um grave acidente de moto na manhã da última quinta-feira (23), evoluiu de um quadro clínico complexo para um embate institucional e político. Gerson, profissional com décadas de atuação no município e atualmente filmaker do Fiscal do Povo, sofreu fraturas severas no quadril e no cóccix, o que exigiu cirurgia imediata e posterior monitoramento em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital Ferreira Machado (HFM).
O caso tomou contornos de crise administrativa no sábado, quando Charles Guerreiro relatou ter sido impedido de realizar uma visita ao colega de trabalho. Segundo Guerreiro, sua entrada foi inicialmente autorizada, mas revogada minutos depois por um funcionário identificado como Anderson, sob a alegação de ordens superiores da direção da unidade. O episódio motivou o acionamento da Polícia Militar e gerou denúncias de perseguição política, uma vez que outros visitantes tiveram o acesso liberado normalmente. Em resposta, a administração do HFM justificou a restrição baseando-se em normas técnicas da Anvisa que limitam o fluxo em áreas de alto risco, embora não tenha apresentado, no momento, uma justificativa formal para o bloqueio específico de Charles.
A tensão atingiu o ápice neste domingo, com a transferência repentina de Gerson Gomes para a Santa Casa de Misericórdia. O procedimento foi realizado sem que a família fosse comunicada, gerando revolta entre os parentes que acreditavam que o paciente ainda seguia internado no HFM. Ao buscarem informações, os familiares relataram que a própria administração da unidade reconheceu um “erro de comunicação” no setor responsável pela movimentação do paciente.
Até o momento, o caso é marcado por um conflito direto de versões. Enquanto o Hospital Ferreira Machado sustenta ter tentado contato telefônico com a irmã do fotógrafo em diversas ocasiões, a família afirma categoricamente que não recebeu qualquer aviso e que os números de contato haviam sido disponibilizados desde o primeiro dia de internação. Toda a problemática aponta um possível descumprimento de leis e do Estatuto do Paciente, que garantem o direito à informação e à transparência em decisões hospitalares relevantes.


































