Cleiton havia passado por uma cirurgia de redução do estômago e um laudo médico lhe daria o direito de fazer o tratamento em casa. Como não obteve o parecer médico favorável, após ser operado no hospital Penitenciário Hamilton Agostinho, ele passou por todo o tratamento encarcerado no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio.
Esquema contava com a participação de servidores poderosos. Em depoimento, Cleiton apontou o então diretor do hospital penitenciário onde ele realizou a cirurgia, Thiago Franco Lopes, o subdiretor Aleksandro dos Santos Rosa, e o chefe de segurança da unidade, Márcio Santos Ferreira como supostos membros do grupo que o extorquia — esses são os três inspetores afastados agora pela Justiça.
Também foram apontados um médico, um enfermeiro e um nutricionista, além de dois advogados que teriam ido até a casa da esposa do detento, embora não façam a defesa de Cleiton. Os três profissionais de saúde citados prestavam serviços como terceirizados no Hospital Penitenciário Hamilton Agostinho e foram afastados. Eles não tiveram as identidades divulgadas.
Como funcionava o esquema
Servidores do complexo penitenciário identificavam presos com alto poder aquisitivo para, supostamente, extorqui-los financeiramente. Conforme informações do MPRJ, os suspeitos aproveitavam as necessidades médicas dos detentos e, quando era solicitada a emissão de um laudo médico ou nutricional, o grupo entrava em ação para cobrar valores ilícitos e altos.
Os servidores com cargo de chefia teriam anuência e participação no esquema, conforme a investigação. Ainda segundo o MPRJ, os suspeitos desempenhavam funções específicas no esquema criminoso, exigiam pagamentos em valores elevados dos presos com poder aquisitivo e, em troca, concedia pareceres médicos que os beneficiavam, geralmente com o direito à prisão domiciliar.



































