Campos dos Goytacazes carrega uma história de forte influência na política do Rio de Janeiro e do Brasil. Ao longo de mais de um século, sete nomes ligados ao município chegaram ao comando do governo estadual, enquanto um deles também ocupou o cargo mais importante do país, a Presidência da República.
A lista reúne Nilo Peçanha, Togo de Barros, Celso Peçanha, Theotônio Ferreira de Araújo, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho e Rodrigo Bacellar. Embora tenham chegado ao poder em diferentes circunstâncias, os sete fazem parte da trajetória política de Campos, município que se consolidou como um dos principais centros de influência do interior fluminense.
A história atravessa diferentes períodos da administração estadual, incluindo a época em que Niterói era a capital do antigo estado do Rio de Janeiro, antes da fusão com a Guanabara, em 1975.
Nilo Peçanha, de governador a presidente da República
Nascido em Campos dos Goytacazes, Nilo Peçanha foi um dos personagens mais importantes da política brasileira no início do século XX. Ele governou o estado do Rio de Janeiro entre 1903 e 1906 e voltou ao cargo entre 1914 e 1917.
Eleito vice-presidente na chapa de Afonso Pena, Nilo assumiu o comando do Brasil em 1909, após a morte do então presidente, permanecendo no cargo até 1910. Até hoje, é o único campista a ter ocupado a Presidência da República.
Togo de Barros assumiu o governo em 1958
Natural de Campos dos Goytacazes, Togo Póvoa de Barros também integra a lista de campistas que chegaram ao comando do Executivo fluminense. Advogado, jornalista e servidor público, construiu parte de sua trajetória política na Assembleia Legislativa do antigo estado da Guanabara.
Em 1958, quando presidia a Assembleia Legislativa, assumiu o governo estadual após a renúncia do então governador Miguel Couto. Permaneceu no cargo até janeiro de 1959, quando transmitiu o comando do estado a Roberto Silveira.
Na época, a sede do governo funcionava no Palácio do Ingá, em Niterói. Togo também exerceu outras funções públicas e teve atuação na política estadual ao longo de sua carreira.
Celso Peçanha governou o Rio entre 1961 e 1962
Outro nome de destaque foi Celso Peçanha, nascido em Santo Eduardo, distrito de Campos dos Goytacazes. Advogado, jornalista e professor, ele construiu uma trajetória política que incluiu mandatos como prefeito, deputado federal e vice-governador.
Celso assumiu o governo do Rio de Janeiro em 1961, após a morte do então governador Roberto Silveira, vítima de um acidente. Permaneceu à frente do Executivo estadual até julho de 1962, quando deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado Federal.
Parente do ex-presidente Nilo Peçanha, Celso também se dedicou à produção literária e à preservação da memória política fluminense.
Theotônio Ferreira de Araújo chegou ao governo em 1966
Nascido em Campos, Theotônio Ferreira de Araújo Filho também ocupou o governo do antigo estado do Rio de Janeiro. Advogado e político, exerceu sucessivos mandatos como deputado estadual e chegou à vice-governadoria.
Em agosto de 1966, assumiu o comando do Executivo fluminense após o afastamento de Paulo Torres, que deixou o cargo para disputar uma vaga no Senado.
Theotônio permaneceu como governador até janeiro de 1967. Ao longo da carreira, também ocupou secretarias estaduais e voltou a exercer a função de vice-governador.
Anthony Garotinho e Rosinha marcaram época no governo estadual
Décadas depois, Campos voltou a ganhar destaque no cenário estadual com Anthony Garotinho. Ex-prefeito do município, ele foi eleito governador do Rio de Janeiro em 1998 e assumiu o cargo em janeiro de 1999, permanecendo até abril de 2002, quando deixou o governo para disputar a Presidência da República.
Na sequência, sua esposa, Rosinha Garotinho, venceu a eleição estadual de 2002 e governou o Rio de Janeiro entre 2003 e 2006. Embora tenha nascido em Itaperuna, no Noroeste Fluminense, Rosinha construiu sua base política e familiar em Campos dos Goytacazes, município que também administrou por dois mandatos consecutivos, entre 2009 e 2016.
Com isso, o casal protagonizou um período de oito anos consecutivos à frente do Executivo fluminense, consolidando Campos como uma importante base de influência na política estadual.
Rodrigo Bacellar também ocupou o comando do estado
Mais recentemente, Rodrigo Bacellar passou a integrar essa lista. Deputado estadual com base política em Campos, ele chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e, nessa condição, assumiu interinamente o governo estadual.
Em junho de 2023, Bacellar ocupou temporariamente o cargo durante a ausência do então governador Cláudio Castro e do vice-governador Thiago Pampolha, que estavam fora do país.
Diferentemente dos governadores eleitos para exercer mandatos próprios, Bacellar chegou ao comando do Executivo em caráter interino, conforme as regras de sucessão previstas na legislação estadual.



































