O vereador licenciado de Campos dos Goytacazes e candidato a deputado estadual pelo PV, Maicon Cruz, defendeu a elaboração de um plano de desenvolvimento econômico para o município. Em entrevista ao Manchete RJ, ele afirmou que Campos não aproveita adequadamente sua localização estratégica e o potencial proporcionado pelos grandes empreendimentos instalados na região.
“Qual é o plano de desenvolvimento de Campos para os próximos dez anos? Onde estamos e aonde queremos chegar? A cidade não tem esse planejamento. Ninguém discute investimentos ou redução fiscal para tornar Campos atrativa para empresas e novos negócios”, afirmou.
Maicon destacou que o município está localizado entre Rio de Janeiro e Vitória e próximo a importantes estruturas logísticas, como o Porto do Açu, a Ponte da Integração e o Porto Central. Para o candidato, esse potencial ainda não foi convertido em oportunidades de trabalho e geração de renda.
“Mesmo com todo esse potencial, Campos continua parada. Precisamos discutir a atração de empresas, a qualificação dos jovens, novos investimentos e a geração de empregos. O jovem se forma, mas não sabe onde entregar um currículo”, declarou.
O candidato também relacionou o potencial econômico do município aos índices de pobreza e criticou a ausência de políticas capazes de transformar a riqueza produzida em melhoria da qualidade de vida.
“Campos está entre as cidades mais ricas do Brasil, mas, ao mesmo tempo, mais de 50% da população vive na pobreza, segundo os dados que apresentamos. Como pode uma das cidades mais ricas ter mais da metade da população nessa situação? Ao mesmo tempo que produzimos tanta riqueza, também produzimos pobreza. Precisamos rediscutir esse modelo”, disse.
Representação do interior
Ao falar sobre a disputa por uma cadeira na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, Maicon colocou a representação do interior entre as principais bandeiras de sua candidatura. Segundo ele, a população da região se sente abandonada pelos parlamentares depois das eleições.
“O que falta é um parlamentar que represente de fato o nosso interior, que brigue pela região e bata na mesa buscando melhorias, benefícios e investimentos. A população se sente desprestigiada porque, depois da eleição, a ausência política é muito grande. Não temos o costume de ver deputados andando nos bairros, no Centro da cidade ou visitando uma escola pública fora do período eleitoral”, afirmou.
Na avaliação do candidato, a falta de proximidade entre os representantes e a população contribui para o descrédito na política.
“Essa ausência e essa falta de proximidade com aqueles que deveriam ser representados fazem o descrédito aumentar. Nós vamos tentar mudar isso estando presentes. Temos diversas obras e ações do Estado paralisadas ou interrompidas por falta de alguém que brigue, cobre e busque uma solução”, completou.
Recursos para Campos
Maicon apresentou a articulação de recursos como uma das principais credenciais dos seus mandatos na Câmara Municipal. Segundo o candidato, mais de R$ 16 milhões foram destinados a Campos por meio de contatos com parlamentares e órgãos públicos.
“Conseguimos captar para Campos mais de R$ 16 milhões em investimentos. Destinamos mais de R$ 1 milhão à APAPE e mais de R$ 600 mil à Obra do Salvador. Fizemos isso porque andamos pela cidade e vemos a necessidade das crianças neuroatípicas, que muitas vezes não possuem um tratamento digno. A fila por uma consulta com neuropediatra é absurda e faltam profissionais como fonoaudiólogos e terapeutas ocupacionais”, afirmou.
O candidato reconheceu que os recursos não solucionaram completamente os problemas, mas disse que contribuíram para ampliar os atendimentos.
“Fomos a Brasília, buscamos recursos e conseguimos destinar mais de R$ 1 milhão à APAPE como uma medida paliativa. Isso não resolveu o problema, mas fizemos a nossa parte enquanto mandato. O recurso gerou mais atendimento, acolhimento e tratamento para crianças e adolescentes neuroatípicos”, declarou.
Maicon também destacou a destinação de recursos para a Obra do Salvador, instituição que atua na capacitação e na inserção de jovens no mercado de trabalho.
“Ando por cada bairro da cidade e vejo a quantidade de jovens que querem vencer na vida, que querem uma oportunidade e alguém que acredite neles. Destinamos R$ 600 mil para a Obra do Salvador, que capacita jovens das comunidades e os insere no mercado de trabalho como aprendizes. Esse recurso ampliou os atendimentos da instituição”, disse.
Demandas de Campos
Questionado sobre as principais demandas do município, Maicon apontou problemas nas áreas de saúde, transporte e infraestrutura. O candidato citou obras estaduais paralisadas e cobrou maior atuação dos representantes da região.
“Temos a Estrada dos Ceramistas, que está parada há mais de um ano, e a Ponte de Ferro, que continua prejudicando os moradores de Guarus no acesso ao Centro. As pessoas ficam isoladas como se não pertencessem a Campos. Precisamos de representantes que acompanhem essas obras e cobrem soluções”, afirmou.
O candidato também criticou as condições dos serviços públicos municipais, com destaque para o transporte coletivo.
“A população não aguenta mais sofrer com uma cidade onde o transporte público não funciona, a educação pública não funciona e a saúde está na UTI. São pessoas que muitas vezes morrem pela falta do básico. Não podemos normalizar uma situação como essa”, disse.
Saúde entre as prioridades
Para Maicon, os problemas da rede municipal de saúde estão relacionados à definição de prioridades na aplicação dos recursos públicos.
“O problema da saúde de Campos se resume à falta de prioridade. Não é falta de dinheiro. É prioridade. Você gasta mais de R$ 20 milhões em uma fachada enquanto, dentro do hospital, faltam leitos, soro, equipos, luvas, papel higiênico, água potável, medicamentos, insumos hospitalares e equipamentos para cirurgias”, afirmou.
O vereador também questionou a efetividade das ações anunciadas para reduzir as filas por consultas, exames e cirurgias.
“Campos investe mais de R$ 1,2 bilhão na saúde, mas a população continua enfrentando filas. Temos pessoas esperando por consultas, exames e cirurgias. No chamado Mutirão Zera Fila, houve pacientes com documentos e exames vencidos que precisaram começar novamente todo o processo”, declarou.
Maicon afirmou ainda ter destinado R$ 450 mil em emenda impositiva para a realização de cirurgias na Santa Casa. Segundo ele, o valor ainda não teria sido repassado.
As declarações sobre os valores, as condições das unidades e os repasses representam o posicionamento apresentado pelo candidato. O espaço permanece aberto para manifestação da Prefeitura de Campos e das instituições mencionadas.
Educação e Piso do Magistério
A educação, uma das principais bandeiras dos mandatos de Maicon na Câmara Municipal, também ocupou parte da entrevista. O candidato afirmou que a Prefeitura de Campos não cumpre corretamente o Piso Nacional do Magistério.
“A Prefeitura não cumpre o piso porque o valor deve ser incorporado ao salário e repercutir na carreira. Isso não acontece. Foi criada uma gratificação que considera os demais direitos do plano de cargos e salários e complementa apenas o que falta para alcançar o piso”, afirmou.
Segundo o vereador, o modelo adotado faz com que o profissional deixe de receber o complemento conforme avança na carreira.
“À medida que o professor sobe de nível, ele deixa de receber esse complemento. Então, o valor não repercute na carreira. Também não existe o pagamento retroativo. Todos os anos é uma luta. Temos que procurar o Ministério Público, o Tribunal de Contas, fazer manifestações e paralisações para que a Prefeitura cumpra uma obrigação”, disse.
Segurança pública no interior
Maicon defendeu a recomposição do efetivo da Polícia Militar no interior. Segundo os dados apresentados por ele, o 8º Batalhão da Polícia Militar tinha mais de 1.300 agentes em 2008 e atualmente conta com pouco mais de 700 policiais para atender Campos, São João da Barra, São Francisco de Itabapoana e São Fidélis.
O candidato também criticou o projeto de implantação do 46º BPM em Guarus. Na avaliação dele, o principal problema da segurança pública regional não seria a ausência de um novo prédio, mas a redução do número de policiais nas ruas.
“O problema não está na construção de mais um batalhão para dividir o efetivo que já existe. O problema está na falta de policiais, de policiamento ostensivo, de valorização e de equipamentos. Como deputado estadual, vou brigar pela recomposição do efetivo da Polícia Militar no interior, para termos mais policiais nas ruas e devolvermos a sensação de segurança à população”, afirmou.
PreviCampos e servidores municipais
Questionado sobre a situação do PreviCampos, Maicon classificou o cenário como preocupante e defendeu maior acompanhamento dos servidores sobre os parcelamentos e as condições financeiras do instituto.
Segundo o candidato, o funcionalismo municipal enfrenta perdas salariais, enquanto aposentados e pensionistas convivem com dificuldades financeiras.
“A política passa, mas os servidores continuam conduzindo a máquina pública. São eles que atendem a população e fazem os serviços funcionarem. Precisamos valorizar quem dedicou a vida ao município e hoje, muitas vezes, precisa escolher qual conta vai pagar”, declarou.
As afirmações sobre valores, parcelamentos e projeções financeiras foram apresentadas pelo entrevistado e devem ser confrontadas com os documentos oficiais do PreviCampos e da administração municipal.
Piso da enfermagem
Maicon também destacou a atuação do mandato na regulamentação do Piso Nacional da Enfermagem em Campos.
Segundo o vereador, o complemento beneficia profissionais que atuam em hospitais contratualizados, como Santa Casa, Beneficência Portuguesa, Hospital Álvaro Alvim e Hospital Plantadores de Cana.
O candidato afirmou que encaminhou ao Ministério Público do Trabalho denúncias envolvendo atrasos salariais, desvalorização profissional e trabalhadores contratados como auxiliares, mas que exerceriam funções de técnicos de enfermagem.
“Não basta aprovar o piso. É preciso acompanhar a forma como o dinheiro está chegando aos profissionais. Recebemos denúncias de salários atrasados e de trabalhadores contratados como auxiliares, mas exercendo funções de técnicos. Visitamos as unidades e levamos essas situações aos órgãos de fiscalização”, afirmou.
Maicon também declarou que busca na Justiça garantir aos servidores estatutários da enfermagem acesso proporcional aos recursos federais destinados ao pagamento do piso.
Cobrança retroativa do IPTU
Maicon voltou a criticar a cobrança retroativa do IPTU em Campos. Segundo ele, o mandato acionou a Justiça e provocou o Ministério Público para contestar os valores exigidos dos contribuintes.
“O entendimento que defendemos é de que essa cobrança retroativa é irregular e inconstitucional. Mesmo assim, a Prefeitura continua cobrando valores que pesam sobre trabalhadores, famílias e empresários. Há casos de aumentos expressivos, bloqueio de contas, inscrição em dívida ativa e protestos em cartório”, afirmou.
O vereador disse ter votado contra a proposta e prometeu continuar acompanhando a questão judicialmente.
“Votei contra o projeto e acionei a Justiça. O mandato também provocou o Ministério Público por meio de uma ação civil pública. Vamos continuar essa disputa para proteger o contribuinte e cobrar serviços públicos compatíveis com os impostos pagos pela população”, declarou.
O alcance das decisões mencionadas pelo candidato deve ser conferido nos processos correspondentes.
Eleições de 2028
Ao ser questionado sobre uma possível candidatura à Prefeitura de Campos em 2028, Maicon não descartou a possibilidade.
“Meu nome sempre estará à disposição do povo de Campos. Político é servidor público e funcionário do povo. Se a população não quiser que eu seja deputado estadual, continuarei vereador. Na eleição seguinte, o povo vai indicar qual caminho devemos seguir”, respondeu.
Trajetória pessoal
Maicon também relacionou sua candidatura à própria origem familiar e disse que pretende representar setores da sociedade que, segundo ele, não possuem espaço nas decisões políticas.
“Campos é governada pelas mesmas famílias há mais de 40 anos. A cidade está parada no tempo e precisamos romper com essa velha política. Sou filho de pescador e de manicure. Sei das dificuldades das pessoas e utilizo aquilo que enfrentei para me impulsionar a lutar por muitos outros que, assim como eu, querem vencer na vida”, declarou.
Ao encerrar a entrevista, o candidato afirmou que pretende levar para a Alerj uma atuação baseada na presença e na proximidade com os moradores de Campos e do interior.
“Se eu for eleito deputado estadual, meu primeiro compromisso será fazer o que muitos não fazem: estar perto da população, buscar respostas, enfrentar as lutas e representar o Norte Fluminense”, concluiu.



































